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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Cães e gatos também sentem luto, mostram levantamentos veterinários

Pesquisas registram mudanças de comportamento em animais após a perda de um tutor, familiar ou de outro pet da casa. Veterinária sugere recomendações para amenizar a tristeza dos bichos



Cães e gatos vivem o luto pela perda de um tutor, familiar ou de outro animal da casa, mostram pesquisas veterinárias conduzidas nos últimos anos na Oceania, na Europa e nos Estados Unidos. O tema do luto ganhou espaço com a sanção, em fevereiro, da Lei nº 18.397/2026, em São Paulo, que passou a reconhecer oficialmente o vínculo afetivo entre tutores e animais de estimação ao autorizar o sepultamento conjunto em jazigos familiares.

Como os cães reagem à perda de um companheiro

Mudanças de comportamento aparecem em três de cada quatro animais sobreviventes à perda de um companheiro de casa, segundo levantamento com 279 tutores na Austrália e na Nova Zelândia, conduzido pela pesquisadora de bem-estar animal Jessica Walker.

Cães que perdem um companheiro canino costumam buscar mais atenção do tutor (67% dos casos), brincar menos (57%), ficar mais parados (46%), dormir mais e demonstrar mais medo (35% cada), comer menos (32%) e latir ou chorar com mais frequência (30%). Ao todo, 86% dos tutores notaram alguma mudança no cão sobrevivente, segundo levantamento com 426 famílias italianas, conduzido por pesquisadores da Universidade de Milão, publicado em 2022 na revista Scientific Reports.

A qualidade do vínculo pesou mais do que o tempo de convivência entre os dois animais: quanto mais próxima a relação com o companheiro que morreu, mais intensa foi a reação do animal sobrevivente, um padrão que se repetiu quando o próprio tutor também estava de luto.

Como os gatos reagem a perdas


Gatos também parecem sentir a perda de um companheiro de casa: comem, dormem e brincam menos, buscam mais atenção de humanos e de outros animais, e passam a se esconder ou a ficar mais tempo sozinhos, como se procurassem pelo animal que morreu. O padrão apareceu em levantamento de 2024 com cerca de 412 tutores de gatos, conduzido por pesquisadores da Universidade de Oakland, nos Estados Unidos, e publicado na revista Applied Animal Behaviour Science.

A reação do gato sobrevivente era mais forte quanto mais tempo e mais próximo tinha sido o convívio entre os dois animais. Em cerca de um terço dos casos, o companheiro que morreu era um cão, e mesmo assim os gatos reagiram: esconderam-se ou cheiraram repetidamente os locais preferidos do animal ausente.

A pesquisa veterinária sobre o luto de gatos pela morte do próprio tutor ainda é escassa. Especialistas apontam que, nesses casos, é mais difícil separar a reação do animal da mudança de rotina e de humor da própria família enlutada.

Quando o tutor morre


“Cães costumam manter uma rotina muito ligada à presença do tutor: horário de passeio, de comida, de dormir. Quando essa pessoa falta, é comum o animal procurar o cheiro dela, esperar em lugares onde os dois costumavam ficar e comer menos nos primeiros dias. Manter a rotina o quanto for possível ajuda o pet a atravessar esse período”, afirma Haltiane Alves, médica-veterinária responsável técnica da Pet de TODOS.

Como ajudar o pet no luto

Manter os horários de alimentação, passeio e sono ajuda o animal a se sentir seguro. Vale oferecer atenção sem forçar brincadeiras ou passeios, e evitar mudar o pet de ambiente logo após a perda. Se a mudança de comportamento persistir por mais de algumas semanas, ou vier acompanhada de perda de peso, apatia intensa ou recusa total de alimento, a avaliação de um médico-veterinário é indicada para descartar outras causas.

Sobre a Pet de TODOS

A Pet de TODOS é um plano de saúde para cães e gatos com rede de clínicas próprias em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Paraíba. A empresa oferece consultas veterinárias, vacinação, banho e tosa, exames e procedimentos cirúrgicos a preços acessíveis, com planos a partir de R$ 29,90 por mês. A rede conta com cobertura nacional para consultas, emergências, exames, cirurgias e internações, atendendo tutores em todas as regiões do país. Responsável técnica: Haltiane Alves (CRMV-SP 79491).

Whey protein para cachorro existe, mas o suplemento humano pode colocar o pet em risco


Produtos destinados a pessoas podem conter ingredientes inadequados para cães, enquanto a suplementação veterinária apropriada tem indicação específica e deve considerar as necessidades nutricionais de cada animal

Whey protein para cães existe, mas não é o mesmo produto utilizado por pessoas que buscam aumentar a ingestão de proteínas. Suplementos formulados para animais têm finalidade nutricional específica e devem ser utilizados de acordo com a condição clínica e as necessidades do pet. Já produtos destinados ao consumo humano podem conter ingredientes que não foram formulados para cães e, por isso, não devem ser oferecidos aos animais sem orientação veterinária.

O principal problema não está apenas na proteína do soro do leite em si. A composição dos suplementos humanos varia de acordo com a marca e pode incluir adoçantes, aromatizantes e outros ingredientes que exigem atenção quando o produto entra em contato com um animal. Entre eles está o xilitol, adoçante utilizado em diversos produtos sem açúcar e presente também em alguns suplementos alimentares. Em cães, a substância pode provocar uma liberação intensa de insulina e levar a uma queda rápida da glicose no sangue. Em casos graves, a intoxicação pode causar convulsões, coma, alterações de coagulação e insuficiência hepática.

Por isso, antes de oferecer qualquer suplemento ao cão, é necessário verificar a composição do produto. A presença de xilitol deve ser tratada como uma situação de risco, e a ingestão acidental exige atendimento veterinário imediato. A FDA destaca que os sinais de intoxicação podem aparecer rapidamente após o consumo.

A questão nutricional também é diferente da lógica aplicada à alimentação humana. Um suplemento proteico não deve ser usado para reproduzir no cão o objetivo buscado por uma pessoa que pratica musculação. Em animais, a necessidade de suplementação depende da idade, da condição corporal, da alimentação, do estado fisiológico e da presença de doenças ou situações que alterem as necessidades nutricionais.

“Em pessoas, quem toma whey quer ganhar músculo. Em cães, quando existe indicação de suplementação, o objetivo é atender uma necessidade nutricional específica, e não reproduzir uma estratégia de hipertrofia usada por humanos”, explica Haltiane Alves, médica-veterinária responsável técnica da Pet de TODOS.

A proteína, inclusive, não deve ser analisada isoladamente. Cães precisam receber energia, proteínas, aminoácidos, vitaminas, minerais e outros nutrientes em quantidades e proporções adequadas. Essas necessidades mudam conforme a fase da vida. Filhotes em crescimento, animais adultos, fêmeas gestantes ou lactantes e cães idosos não têm exatamente as mesmas exigências nutricionais. Organizações como AAFCO e FEDIAF estabelecem parâmetros para a formulação de alimentos completos e balanceados destinados a diferentes estágios fisiológicos.

Em animais saudáveis alimentados com uma dieta completa e balanceada, a suplementação nem sempre é necessária. A própria AAFCO orienta que cães e gatos saudáveis que recebem alimentação completa e adequada à fase da vida geralmente não precisam de suplementos. A adição indiscriminada de determinados nutrientes pode, inclusive, levar ao excesso de substâncias que também apresentam risco quando consumidas em quantidades elevadas.

Indicações da suplementação


A situação muda quando existe uma necessidade clínica ou nutricional específica. Um cão pode precisar de suplementação em situações relacionadas ao crescimento, à gestação e à lactação, à recuperação de procedimentos ou à dificuldade de atingir determinadas necessidades nutricionais por meio da alimentação. A indicação, nesses casos, depende da avaliação individual do animal e deve ser feita por um médico-veterinário.

A idade também interfere nessa decisão. Cães idosos podem apresentar doenças crônicas que exigem alterações na dieta, e a doença renal crônica é um dos exemplos em que a composição nutricional precisa ser cuidadosamente controlada. Dietas formuladas para cães com doença renal crônica normalmente apresentam restrições específicas, incluindo redução de fósforo e, em determinadas formulações, controle do teor de proteína.

Isso significa que aumentar a quantidade de proteína sem saber se o animal realmente precisa dela pode seguir na direção oposta à recomendada para determinados pacientes. O diagnóstico e a avaliação nutricional devem vir antes da escolha do suplemento.

“A suplementação nunca substitui uma alimentação balanceada. Antes de pensar em qualquer suplemento, o primeiro passo é garantir que a alimentação do cão esteja adequada às necessidades dele”, afirma Haltiane.

A escolha da alimentação também precisa levar em conta a fase da vida do animal. AAFCO destaca que alimentos para crescimento, manutenção e gestação ou lactação apresentam necessidades diferentes de nutrientes e devem ser formulados para atender essas condições específicas.

No Brasil, produtos destinados à alimentação de animais de companhia seguem regras próprias do Ministério da Agricultura e Pecuária. A Instrução Normativa nº 30, de 5 de agosto de 2009, estabelece critérios para registro, rotulagem e propaganda desses produtos e define, entre outras categorias, o que é considerado suplemento para animais de companhia. A norma passou por alterações posteriores e continua relacionada à regulamentação da alimentação de cães e gatos.

A própria regulamentação diferencia alimentos completos, alimentos específicos, alimentos coadjuvantes e suplementos. Alimento completo é aquele formulado para atender integralmente às exigências nutricionais do animal, enquanto o suplemento tem como finalidade melhorar o balanço nutricional.

A diferença reforça que suplemento não é sinônimo de alimentação completa. AAFCO também orienta que produtos classificados como suplementos não substituem automaticamente uma dieta completa e balanceada.

Por isso, a recomendação para quem considera oferecer whey protein ao cão não passa longe de procurar uma versão humana “mais pura” ou simplesmente trocar o produto por um suplemento vendido em pet shop. O primeiro passo é descobrir se existe uma necessidade nutricional que justifique a suplementação. Sem essa avaliação, acrescentar nutrientes à dieta pode ser desnecessário, inadequado ou perigoso. “Ter acompanhamento veterinário é o que permite identificar se o cão realmente precisa de suplementação e qual produto faz sentido para a condição dele”, completa Haltiane.

Sobre a Pet de TODOS

A Pet de TODOS é um plano de saúde para cães e gatos com rede de clínicas próprias em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Paraíba. A empresa oferece consultas veterinárias, vacinação, banho e tosa, exames, procedimentos cirúrgicos e cobertura nacional para serviços previstos em contrato. Responsável técnica: Haltiane Alves (CRMV-SP 79491).