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quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Luto animal nas festas de fim de ano: como lidar com a saudade e encontrar conforto



As festas de fim de ano, geralmente associadas a encontros familiares e celebrações, podem se tornar emocionalmente desafiadoras para aqueles que perderam recentemente um animal de estimação. O luto animal é uma experiência profunda e, muitas vezes, incompreendida, que exige cuidado e acolhimento. Segundo a doula da alma animal e terapeuta do luto, Laini Jacomini, fundadora do projeto Animales de Luz, é possível adotar práticas que ajudam a honrar a memória do pet e a respeitar os próprios sentimentos durante esse período.

“Uma maneira de lidar com o luto é envolver a família, especialmente as crianças, em atividades que celebrem o amor e a conexão com o animal que partiu. Atividades criativas, como desenhar, pintar ou escrever cartinhas, podem ser transformadoras”, sugere a terapeuta.

Outra ideia é criar um espaço simbólico de memória. “Você pode decorar uma árvore de Natal com fotos, bilhetes ou objetos que lembram o pet. Isso cria um ambiente de gratidão e acolhimento”, orienta. Passar um tempo em meio à natureza também pode trazer conforto. “A natureza nos conecta aos ciclos da vida, permitindo um entendimento mais profundo da partida.”

Durante as festas, respeitar os próprios limites emocionais é fundamental. “Nem todo mundo se sente pronto para participar de grandes encontros familiares ou celebrações. É importante reservar momentos de solitude, se necessário, para processar as emoções. Criar um espaço tranquilo onde se possa refletir ou praticar a escrita terapêutica pode ser muito valioso. Registrar os sentimentos em um diário, por exemplo, ajuda a acolher o que emerge e a fazer as pazes consigo mesmo”, explica Laini Jacomini.

Para transformar a dor em um ato de amor, Laini sugere ressignificar o significado das festas. “Doar os pertences do animal, como coleiras, brinquedos ou camas, para abrigos ou protetores de animais, é um gesto que honra a memória do pet e beneficia outros animais em situação de vulnerabilidade. A solidariedade é uma forma poderosa de dar continuidade ao amor.” Outra alternativa é dedicar-se a atividades voluntárias em prol dos animais. “Ajudar projetos ou ONGs que cuidam de pets abandonados não só oferece propósito, mas também proporciona conforto emocional. É uma conexão renovada que ajuda a preencher a ausência.”

O luto durante as festas pode ser ainda mais difícil por conta das pressões sociais. Muitas pessoas sentem a necessidade de esconder ou bloquear seus sentimentos para se adequar ao clima festivo. A terapeuta reforça a importância de validar as próprias emoções: “Não se force a participar de eventos ou atividades que não fazem sentido nesse momento. Permitir-se viver o luto no seu próprio ritmo é um ato de respeito e um passo fundamental para a cura.”

Apesar da dor, o luto animal pode abrir caminhos para ressignificar a saudade. “Criar espaços para honrar a memória do pet, seja em família ou em momentos de reflexão, transforma a dor em lembranças significativas. A conexão com o animal que partiu permanece viva no amor que nutrimos por ele”, finaliza Laini Jacomini.


Sobre Animales de Luz


Laini Jacomini é a fundadora do Animales de Luz, um projeto que nasceu na Espanha e agora também atende no Brasil. Brasileira, com uma formação sólida como doula da alma animal e terapeuta do luto animal, Laini oferece um serviço especializado de acompanhamento de luto para tutores de animais de estimação, sensibilizado por sua própria experiência de perda de animais queridos e pela compreensão profunda dessa dor.

Além de seu trabalho como doula e terapeuta do luto animal, Laini possui uma vasta experiência como professora de idiomas e educadora, o que enriquece sua abordagem sensível e compreensiva. Ela utiliza diversas ferramentas, como meditações guiadas e materiais de apoio, para ajudar os tutores a integrarem e aceitarem a perda de seus companheiros animais. Laini acredita que cada luto é único e adapta seu acompanhamento às necessidades individuais de cada cliente, garantindo um processo de cura amoroso e consciente.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Finados: O que fazer quando um pet morre?





Quando se tem um pet, as responsabilidades com o animal são incorporadas na rotina das famílias, que se tornam experientes nestes cuidados. Entretanto, quando o ciclo de vida de um cão ou gato de estimação chega ao fim, muitos tutores ficam em dúvida sobre o que fazer com o corpo do animal. Nesta situação, a destinação correta deve ser uma preocupação não apenas pelo carinho com pet, mas devido às questões sanitárias.

Isso porque, quando feita de maneira e em local inadequados, esta destinação pode trazer danos à saúde pública, por oferecer risco de infecções que afetam humanos e outros animais.

A contaminação ocorre pela liberação de líquidos que possuem grande quantidade de bactérias e substâncias tóxicas. “O risco se dá quando este material entra em contato com solo, lençóis freáticos e poços artesianos”, explica Elma Pereira dos Santos Polegato, presidente da Comissão de Saúde Ambiental do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP).

Um ato de amor, um dever

Mais do que uma medida de guarda-responsável, a conduta correta com corpos de animais é regra estabelecida pelo artigo 54 da Lei Federal nº 9.605/20. Se infringida, configura-se crime ambiental, com pena detenção e multa.

Portanto, quando perde um animal de estimação, as famílias têm a responsabilidade de procurar por serviços de coleta.

“A maior parte das clínicas e hospitais médico-veterinários oferece estes serviços”, diz o Márcio Thomazo Mota, presidente da Comissão de Clínicos de Pequenos Animais do CRMV-SP, sobre a possibilidade de o tutor entrar em contato com o estabelecimento em que o pet costumava ser atendido ou outro que esteja mais próximo.

As famílias podem, ainda, contar com serviços de coleta de órgãos públicos. Para isso, é preciso entrar em contato com a prefeitura da cidade para saber qual secretaria municipal opera o serviço e, então, buscar por atendimento.

Mercado especializado

Mota comenta que o mercado já dispõe de cemitérios e crematórios específicos para pets. Semelhante aos serviços oferecidos para humanos, as empresas realizam velórios, possuem modelos salas ecumênicas, oferecem urnas para as cinzas do animal e, ainda, lembrancinhas para esse momento de despedida.

Elma e Mota ressaltam que a cremação é o mais indicado, sob o ponto de vista de impacto ambiental. “Entretanto, ainda não está disponível na maioria dos municípios brasileiros”, pontua Elma.

Seja para o sepultamento ou para a cremação de animais, os requisitos ambientais e sanitários são os mesmos observados para humanos. “Se esta for a escolha do tutor, é indispensável que ele se certifique da idoneidade da empresa e de que a instituição possui as licenças ambiental e sanitária para operar”, enfatiza Mota.

Sobre o CRMV-SP


O CRMV-SP tem como missão promover a Medicina Veterinária e a Zootecnia, por meio da orientação, normatização e fiscalização do exercício profissional em prol da saúde pública, animal e ambiental, zelando pela ética. É o órgão de fiscalização do exercício profissional dos médicos-veterinários e zootecnistas do estado de São Paulo, com quase 42 mil profissionais ativos. Além disso, assessora os governos da União, estados e municípios nos assuntos relacionados com as profissões por ele representadas.

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